Mulheres operadas as fístulas obstétricas em Cabo Delgado

Cerca de 40 mulheres das províncias de Niassa e Cabo Delgado, região norte de Moçambique, foram operadas às fístulas obstétricas, na semana passada, no Hospital Provincial de Pemba, numa campanha levada a cabo pelo Ministério da Saúde (MISAU).

Segundo o cirurgião que chefia uma equipa de seis técnicos superiores daquela especialidade, António Jorge, das pacientes seleccionadas, sete não foram operadas pelo facto de a sua situação exigir cirurgias mais especializadas por ser complicada.
Citado pelo jornal “Notícias”, o cirurgião explicou que estas pacientes poderão ser enviadas aos hospitais centrais da Beira e de Maputo, com condições mais adequadas para prestar assistência a estes casos.
Disse que a maioria das pacientes submetidas às cirurgias contra fístulas obstétricas é proveniente dos distritos de Cabo Delgado e que foram enviadas ao Hospital Provincial de Pemba, através dos hospitais distritais onde foram diagnosticadas que padeciam daquela doença.
O cirurgião avançou que retirando as sete mulheres que apresentaram um estado pouco complicado, as restantes foram operadas com sucesso, referindo que estas são as que até terça-feira última tinham sido verificadas, antevendo-se o aumento do número porque o hospital ainda estava a receber outras pacientes.
“Operar uma fístula obstétrica é muito complicado, precisa de muita atenção. Estamos a falar de um lugar muito sensível que fica lesado devido a um parto complicado e arrastado. Mas quando operada com sucesso, a mulher volta a ter uma vida normal como se não tivesse acontecido nada com ela”, explicou.
Aquele cirurgião contou que as mulheres que sofrem de fístula obstétrica passam mal, explicando que o parto arrastado pode durar até sete dias, o que pode provocar a morte do feto depois de dois ou três dias. Logo a seguir a mãe passa a urinar ou defecar involuntariamente em razão da lesão dos tecidos pélvicos.
“Durante o parto prolongado, os tecidos moles da pélvis são comprimidos entre a cabeça do bebé e o osso pélvico da mãe. A falta de circulação do sangue danifica os tecidos, criando um orifício entre a vagina e a bexiga, conhecida como fístula vesicovaginal ou entre a vagina e o recto, que causa a fístula recto-vaginal ou ambas. O resultado é a perda incontrolável de urina, fezes ou ambas que saem involuntariamente” – explicou.
Entretanto, Fátima Benjamim, uma jovem que disse ter 20 anos de idade, proveniente do distrito de Mecúfi e internada no Hospital Provincial de Pemba à espera de ser operada, contou que padece de fístula obstétrica há dois anos depois de um parto feito numa maternidade convencional em Pemba.
“Sou mãe de dois filhos. No ano passado dei à luz o meu segundo filho, mas demorei muito a dar parto. Transferiram-me para Pemba e chegado cá, fizeram-me cesariana. Depois comecei a notar que saia urina e fezes na vagina de forma involuntária. Porque me queixava sempre em Mecúfi, na semana passada disseram-me para vir operar e estou à espera”, contou.

Para além de partos complicados e arrastados sem assistência médica adequada, a fístula obstétrica pode também ser provocada por gravidezes precoces, abortos involuntários ou voluntários, doenças crónicas, entre outras razões.
(AIM)

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